quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Transposição começa a chegar no Cariri com obras em Monteiro e Taperoá



O sonho de mais de um milhão de paraibanos de ver a transposição das águas do Rio São Francisco chegar ao Estado para aliviar o sofrimento provocado pelos períodos de seca já começa a ganhar forma. As obras da transposição feitas nos eixos Norte e Leste avançam e enchem de esperança agricultores de várias regiões do Estado. Com isso, alguns municípios cortados por rios por onde as águas passarão com destino aos grandes reservatórios, a exemplo dos rios Taperoá e Paraíba, já estão recebendo recursos provenientes de projetos aprovados pelo Governo Federal para realizar as obras de saneamento básico e revitalização dos rios.

Em Taperoá, no Cariri do Estado, foram iniciadas as obras para a revitalização do rio Taperoá, que se encontra poluído devido à grande quantidade de lixo que é depositado em seu leito por 31 municípios. Na cidade, está sendo construído um aterro sanitário para abrigar todo lixo que é produzido.

Além dos recursos destinados à construção do aterro, o município ainda foi contemplado com recursos de mais de R$ 13 milhões para as obras de esgotamento sanitário.

Para Monteiro, uma das portas de entrada das águas do Rio São Francisco na Paraíba, o Governo Federal irá liberar mais de R$ 4 milhões para saneamento básico de quatro bairros que ainda não contam com o serviço.

Lixo hospitalar e agrotóxicos poluem rios

Outro problema está na distribuição de resíduos sólidos, inclusive o lixo hospitalar, além de agrotóxicos que também são depositados nestes rios, causando poluição e assoreamento. É o caso do rio Taperoá que possui 152 quilômetros de extensão, corta oito municípios e abastece mais 32 cidades. Ele é afluente do rio Paraíba e, há décadas, tem sido usado como local de despejo de lixo e esgotos das cidades pelas quais passa. Para amenizar o caos em que se encontra uma das principais fontes de sobrevivência de mais de 200 mil paraibanos, o Governo Federal aprovou, em 2008, o projeto de recuperação e manejo da bacia hidrográfica do Rio orçado em R$ 135 milhões e que tem por objetivo restaurar as matas ciliares, recuperar o leito degradado e contribuir para o desenvolvimento sustentável por meio da agricultura familiar.

De acordo com o prefeito de Taperoá, Deoclécio Moura, o rio recebe toneladas de lixo por semana, provocando sérios danos ambientais. Ele disse que, até 2005, somente Taperoá produzia 70 carradas de lixo por semana, material que era todo depositado dentro do leito do rio e, com as chuvas, era levado para o açude de Boqueirão. “Por causa disso, a Prefeitura foi multada pela Funasa em R$ 72 mil reais. Hoje, reduzimos esta produção para 25 carradas por semana e todo material coletado é depositado em um lixão na saída da cidade”, disse o prefeito.

Em 2008, Taperoá foi contemplada com uma parte dos recursos para dar andamento à construção do aterro sanitário, já que a cidade foi um dos 12 municípios paraibanos contemplados com a obra. Localizado no sitio Panati, a três quilômetros da zona urbana, o aterro sanitário possui uma área de aproximadamente de 30 mil metros quadrados.

A obra foi dividida em três etapas e a primeira foi concluída. A segunda etapa deverá ser iniciada no mês de outubro e toda obra está prevista para ser terminada no primeiro semestre de 2011.

Aterro sanitário

Segundo o prefeito Deoclécio Moura, com a construção do aterro sanitário, Taperoá vai receber resíduos de várias cidades vizinhas. Ele disse que será construída também uma usina de reciclagem e, posteriormente, fábricas de beneficiamento de papel, plástico, garrafas pet e vidro para gerar emprego e renda para população.

Além destas obras, Taperoá deverá ganhar também uma cooperativa de catadores de lixo, já que atualmente, cerca de 45 famílias vivem de catar o material. “Vamos regularizar a situação dos catadores de lixo já que tem muita gente que sobrevive de catar esses materiais e consequentemente contribuem para limpeza da cidade e do rio. Além disso, vamos buscar investimentos para aquisição dessas empresas de beneficiamento. “Acredito que teremos bastante êxito já que estaremos contribuindo para revitalização do rio Taperoá e ainda gerando emprego e renda para o município”, afirmou o prefeito.

Monteiro terá obras de saneamento

O município de Monteiro, localizado no Cariri paraibano, ostenta o privilegio de ser detentor da área em que nasce o rio Paraíba, que terá o canal por onde passará as águas do Rio São Francisco. A cidade será a primeira do Estado a receber as obras de transposição das águas do Rio São Francisco pelo Eixo Leste. As obras estão a menos de 15 km do município e, em alguns trechos, ainda em terras pernambucanas, próximas de Monteiro, o canal já está concluído. Em outros, foram feitas as valas para, em seguida, serem colocadas as bases de concreto.

De Custódia (PE) a Monteiro são quase 100 quilômetros de extensão de obras com mais de 500 trabalhadores. Para receber a transposição, algumas mudanças de infraestrutura serão realizadas em Monteiro. De acordo com informações repassadas pelo secretário de Infraestrutura Rogério Leite, a Prefeitura está elaborando projetos para serem apresentados ao Ministério da Integração Social.

Ele disse que, no primeiro semestre deste ano, foi aprovado um projeto para saneamento de quatro bairros da periferia, com recursos do PAC II, na ordem de mais de R$ 4 milhões. Cerca de duas mil famílias que hoje convivem com o esgoto a céu aberto serão beneficiadas.

Da Redação com CP

Postado por Klebson Wanderley

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brasil Ecodiesel e TAM estudam produzir bioquerosene

SÃO PAULO - A Brasil Ecodiesel se associou à TAM e à Curcas para analisar a viabilidade da implementação de um projeto integrado de produção sustentável de bioquerosene de aviação no Brasil, desde a produção agrícola e industrial até a distribuição, visando substituição parcial e gradual do combustível fóssil pelo renovável.

O bioquerosene seria produzido a partir da utilização de várias matérias-primas, com destaque para o pinhão-manso originado de projetos de agricultura familiar.

A expectativa é de que o sistema integrado comece a operar de forma comercial em 2013. O grupo conta com a colaboração da Airbus, fabricante de aeronaves, e da Air BP, unidade de distribuição de combustíveis para aviação da BP.

A Curcas é uma empresa integradora especializada no desenvolvimento de projetos de energia renovável. A TAM destinou um espaço de 4,35 hectares de terra agricultável para cultivo experimental de pinhão-manso, com o objetivo de estudar as melhores práticas agrícolas e material genético, de forma a garantir a produção sustentável desta oleaginosa. O terreno ocupa menos de 1% da área total da fazenda onde está instalado o Centro Tecnológico da TAM em São Carlos, no interior paulista.

Os estudos de sustentabilidade serão conduzidos pela Universidade de Yale, dos EUA, e serão patrocinados pela Airbus. Recentemente, a TAM fez um voo teste com um Airbus A320 com bioquerosene de pinhão-manso. O avião experimental saiu do Aeroporto do Galeão, na zona norte do Rio de janeiro, e voou por sobre o Atlântico por 45 minutos, no espaço aéreo brasileiro, depois retornando ao mesmo aeroporto. No teste, o pinhão-manso utilizado foi 100% nacional, oriundo de projetos de agricultura familiar e de fazendas do interior do Brasil.

Para assegurar a disponibilidade do biocombustível necessário para o voo experimental, a TAM adquiriu, por intermédio da Curcas Brasil, sementes de produtores de pinhão-manso do Norte, Sudeste e Centro-Oeste, providenciou a sua transformação em óleo semirrefinado e exportou-o para os EUA, onde a UOP LLC, empresa do grupo Honeywell, fez o processamento do óleo de pinhão-manso em bioquerosene e sua mistura com o querosene convencional de aviação, na proporção de 50% cada.

Obras da transposição avançam e Monteiro será a primeira cidade a receber as águas do São Francisco



Obras da transposição avançam e Monteiro será a primeira cidade a receber as águas do São Francisco
As obras da integração das bacias do Rio São Francisco no eixo Norte, formado pelos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, já estão 44% concluídas. Em São José de Piranhas, no Alto Sertão, está sendo construído o maior túnel subterrâneo para transporte de água da América Latina, o Cuncas I, no lote 14 do Eixo. O túnel começa em Mauriti (CE) e vai até São José de Piranhas (PB), totalizando 15 quilômetros, dos quais, mais de 200 metros já foram escavados.

Nesta segunda-feira (6) terá início a escavação do segundo túnel, o Cuncas II, que ligará São José de Piranhas e Cajazeiras, com cinco quilômetros de extensão. A obra, orçada em R$ 203 milhões, está prevista para ser concluída em dezembro de 2012 e irá beneficiar mais de 1,5 milhão de paraibanos de 36 cidades sertanejas. Já no eixo Leste, formado pela Paraíba e Pernambuco, a obra já tem 67% de conclusão. Neste eixo, mais de um milhão de pessoas de 18 municípios do Cariri serão beneficiadas. As atividades da integração das bacias já estão gerando empregos e renda.

Para escavar o túnel, as empresas responsáveis, por meio do consórcio Construcap, dividiram os quinze quilômetros em três partes distintas. Na primeira, está o emboque, que fica em Mauriti. De acordo com os engenheiros, o material escavado é terra solta e está sendo considerada por eles como a parte mais difícil, já que é inconsistente e há necessidade de se construir bases para suporte. A segunda parte é a janela, no centro da Serra de Monte Horebe, que medirá três quilômetros e será a ligação entre o início e o fim do túnel. A terceira é o fim do túnel, que já fica em São José de Piranhas, setor mais avançado. Por dia, estão sendo escavados mais de sete metros.

As obras dos dois túneis tiveram início no último mês de setembro. A escavação do desemboque do túnel Cuncas I fica no sitio Curral da Onça, distante 18 quilômetros de São José de Piranhas. Na obra, são mais de 300 pessoas envolvidas e, deste total, cerca de 50 atuam diretamente nas escavações. Ele mede 15 quilômetros de extensão, tendo nove metros de altura e vinte de largura, configurando-se como o maior da América Latina. O túnel atravessará quatro cidades: Mauriti e Barro, no Estado do Ceará, e São José de Piranhas e Monte Horebe, na Paraíba.

Dois turnos

Em toda obra do túnel são cerca de 150 homens divididos em seis equipes que trabalham 24 horas por dia. De acordo com o encarregado de obras da parte final do túnel, Ramiro Sergio Ribeiro, os 50 operários que trabalham nas frentes de escavação são divididos em dois turnos.

“Estamos trabalhando em ritmo acelerado porque pretendemos concluir dentro do prazo previsto ou até mesmo antes disso. Por isso, já contratamos um bom número de pessoas e para o ano que vem, cerca de mais 30 serão contratados para trabalhar em outro turno”, explicou Ramiro. Hoje, a transposição do rio São Francisco emprega diretamente mais de sete mil trabalhadores.

Na Paraíba, aproximadamente 500 pessoas já foram contratadas e as empresas executoras das obras em São José de Piranhas estimam que, no próximo ano, mais 200 deverão ser contratados, já que as atividades serão intensificadas.

Monteiro será a 1ª beneficiada
Na Paraíba, o eixo leste começa por Monteiro, no Cariri, onde nasce o Rio Paraíba, que terá o canal por onde passarão as águas do Rio São Francisco. A cidade será a primeira a receber as obras de transposição. As obras da construção do canal estão a menos de 15 quilômetros do município e, em alguns trechos, ainda em terras pernambucanas, o canal já está concluído. Em outros, foram feitas as valas para, em seguida, serem colocadas as bases de concreto.

De Custódia (PE) a Monteiro são quase 100 quilômetros de obras com mais de 500 trabalhadores em dois turnos. Para receber a transposição, algumas mudanças de infraestrutura serão realizadas em Monteiro.

Trabalhadores paraibanos têm prioridade
De acordo com o gestor de serviços do consorcio Construcap/Toniolo Busnello/ Ferreira Guedes, Silvano Silveira, as empresas estão dando prioridade à mão-de-obra local, não somente nas áreas de serviços gerais e frentistas, mas também em áreas especializadas como técnico de segurança no trabalho. Ele disse que, por dia, as empresas têm recebido dezenas de currículos de pessoas em busca de emprego, mas ainda existem vagas que não foram preenchidas por falta de pessoas qualificadas. “Estamos precisando de funcionários de áreas como segurança no trabalho. Queremos profissionais da Paraíba e, por isso, já fomos a Brejo do Cruz em busca de funcionários, mas não conseguimos. Próximo ano, mais vagas serão abertas”, explicou.

Além dos empregos gerados na construção do túnel, no outro lote, de número 7, responsável pela construção de um canal que levará as águas do São Francisco para a barragem Engenheiro Ávidos, centenas de outros trabalhadores foram contratatados para a execução das atividades.

Indenizados compram casa na cidade
Os proprietários das terras onde estão sendo executadas as obras do túnel Cuncas I e do canal do lote sete, já foram indenizados. Com o dinheiro, muitos deles aproveitaram para realizar o sonho de possuir uma casa na zona urbana. Os produtores rurais que tiveram seus terrenos desapropriados irão ser removidos para vilas produtivas que serão construídas pelas empresas. “São mais de 300 famílias indenizadas. Para os que terão que sair das terras, serão construídas quatro vilas”, disse Clarindo.

Em São José de Piranhas, 322 terrenos foram desapropriados e, em Cajazeiras, 49. Os valores das indenizações são calculados de acordo com o tipo de solo de cada área e valor de mercado no município. Ao todo, o Governo Federal disponibilizou mais de R$22 milhões para o pagamento das indenizações.

R$ 8 mil em impostos pagos a Prefeitura
Depois da instalação da empresas em São José de Piranhas, a cidade passou a receber aproximadamente R$ 8 mil de impostos por serviços realizados. Além disso, o comércio tem sido alterado em mais de 50% por conta das compras efetuadas pelas empresas. De acordo com assessor administrativo da prefeitura, Clarindo Geraldo Nunes Rolim, os impostos pagos ainda não são o suficiente para realizar muitas coisas na cidade, porém, de acordo com as estimativas, no próximo ano, os impostos deverão aumentar já que as empresas irão intensificar as atividades na região. “Sem dúvidas São José de Piranhas vai aproveitar o tempo que essas empresas estiverem realizando essas obras para se desenvolver.

Vitrine do Cariri
Daniel Motta (CP)
Postado por joaoesocorro às Domingo, Dezembro 05, 2010

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Periquito-da-Caatinga (Aratinga cactorum)


Nome Popular: Periquito-da-caatinga
Nome Científico: Aratinga cactorum
Peso: Em média 120g
Tamanho: 25 cm
Expectativa de Vida: 30 anos
Alimentação: Na natureza alimentam-se de sementes, bagas, frutos, nozes, brotos e provavelmente, flores. Em cativeiro, recomenda-se servir ração comercial específica, sementes, frutas e vegetais.
Reprodução: Botam, geralmente, 6 ovos que são incubados pela fêmea por, aproximadamente, 21 dias. Os filhotes deixam o ninho com, aproximadamente, 6 semanas.
Distribuição Geográfica : Interior do Nordeste do Brasil.
Descrição
Parte dorsal verde com topo da cabeça marrom-pálido. Cobertura auricular verde. Bochechas, laterais do pescoço e parte superior do peito marrons. Parte inferior do peito e abdômen amarelo-alaranjado. Penas das pernas verde-amareladas. Anel perioftálmico branco. Bico cor-de-marfim. Íris laranja e patas marrons. Não é possível distinguir machos e fêmeas por características externas.
SAIBA MAIS

Transposição na Paraíba

O início das obras para integração de bacias, através da transposição do Rio São Francisco para a Paraíba, está previsto para o próximo mês de abril. Vão ser criados três mil empregos diretos somente em território paraibano. Algumas ordens de serviços de obras já foram assinadas e as demais terão assinatura no mês de fevereiro. As informações exclusivas são do Ministério da Integração Nacional.

Três consórcios envolvendo nove grandes construtoras executarão as obras dos lotes 7, 12 e 14, dentro do estado. A transposição de águas do São Francisco é a mais importante obra hídrica do país, projetada há mais de 160 anos e somente agora se concretiza. A conclusão do Eixo Leste, que atende a Paraíba através de entrada de água na região de Monteiro, no Cariri, está programada para o final de 2010, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará aqui para inaugurar a obra, considerada a maior do século para os nordestinos. Os investimentos superam R$ 5 bilhões.

O Eixo Norte, que trará as águas através da região de Cajazeiras, no Sertão, será concluído em dezembro de 2012. De acordo com o engenheiro-coordenador de Fiscalização do Projeto de Integração do São Francisco, Frederico Fernandes de Oliveira, do Ministério da Integração, os lotes de obras que cortam a Paraíba - 7 (Norte), 12 (Leste) e 14 (Norte) devem ser inicialmente em abril, com a mobilização de pessoal e equipamentos.

O Lote 12, segundo Frederico, já recebeu ordem de serviço de mobilização de pessoal e equipamentos, bem como instalação de canteiro de obras. A engenharia empregada nestes trechos engloba grandes obras de terraplanagem (canais de adução, barragens, adutoras e túneis). Os municípios diretamente envolvidos serão no Eixo Norte (Monte Horebe, São José de Piranhas, Cajazeiras, Cachoeira dos Índios, Bom Jesus, Santa Helena, Triunfo, Poço de José de Moura e Uiraúna) e no Eixo Leste, o município de Monteiro.

Entre as empresas que administrarão as obras estão as empresas Carioca S/A, Paulista e Serveng Civilsa - Lote 7; OAS, Galvão, Barbosa Mello e Coesa - Lote 12; e Construcap, Ferreira Guedes, Toniollo Busnello e Ambiental - Lote 14.

Na Paraíba, a transposição vai gerar três mil empregos diretos e garantir maior oferta de água para 2,5 milhões de paraibanos de 127 municípios; isto até 2025, através do aumento da garantia de água dos açudes Epitácio Pessoa, Acauã, Engenheiro Ávidos, e do sistema Coremas-Mãe-D'Água. As águas do São Francisco chegarão às bacias dos rios Paraíba e Piranhas.

De acordo com o secretário da Infraestrutura, Francisco de Assis Quintans, a princípio, serão beneficiados 54 municípios paraibanos com obras de projetos básicos ambientais, sendo 36 cidades do Sertão (Norte) e 18 municípios do Cariri (Leste). O projeto prevê a coleta e tratamento de esgotos; tratamento e distribuição de água potável; destino final dos resíduos sólidos (lixo); e drenagem de águas pluviais no Cariri para não poluir o Rio Paraíba. No Sertão, a ideia é não poluir os rios Piancó, Piranhas e do Peixe.

O Governo do Estado, no entanto, está pleiteando a inclusão de mais 22 cidades sertanejas localizadas na região do Rio Piancó. O coronel Ferreira, engenheiro militar reformado do Exército e assessor técnico da Secretaria de Infraestrutura do Estado, revela que, com relação aos 54 municípios, os projetos de água e esgotos já estão contratados e serão executados por uma firma paraibana, a Arco Projetos Ltda, do grupo George Cunha.

A transposição também beneficiará a Paraíba com a perenização de todos os trechos dos rios Paraíba e Piranhas, em associação com os sistemas adutores que estão sendo implantados há alguns anos com mais de 600 quilômetros de extensão. Orçado em R$ 5 bilhões, o projeto vai beneficiar 12 milhões de pessoas dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará.

Canais

O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional envolve a construção de dois canais: o Eixo Norte, que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte; e o Eixo Leste, que beneficiará parte do Sertão e a região Agreste de Pernambuco e da Paraíba.

O Eixo Norte, a partir da captação no Rio São Francisco próximo à cidade de Cabrobó - PE, percorrerá cerca de 400 km, conduzindo água aos rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte; e Piranhas-Açu, na Paraíba e Rio Grande do Norte. Ao cruzar o estado de Pernambuco, este eixo disponibilizará água para atender as demandas de municípios inseridos em três sub-bacias: Brígida, Terra Nova e Pajeú.

Para atender a região do Brígida, no oeste de Pernambuco, foi concebido um ramal de 110 km de comprimento, que derivará parte da vazão do Eixo Norte para os açudes Entre Montes e Chapéu. Projetado para uma capacidade máxima de 99 m³/s, o Eixo Norte operará com uma vazão contínua de 16,4 m³/s, destinados ao consumo humano. Em períodos recorrentes de escassez de água nas bacias receptoras e de abundância na bacia do São Francisco (Sobradinho), as vazões transferidas poderão atingir a capacidade máxima.

Os volumes excedentes transferidos serão armazenados em reservatórios estratégicos existentes nas bacias receptoras: Atalho e Castanhão, no Ceará; Armando Ribeiro Gonçalves, Santa Cruz e Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte; Engenheiro Ávidos e São Gonçalo, na Paraíba; e Chapéu e Entre Montes, em Pernambuco.

O Eixo Leste, que terá sua captação no lago da barragem de Itaparica, no município de Floresta - PE, se desenvolverá por um caminhamento de 220 km até o Rio Paraíba - PB, após deixar parte da vazão transferida nas bacias do Pajeú, do Moxotó e da região Agreste de Pernambuco. Para o atendimento das demandas da região Agreste de Pernambuco, o projeto prevê a construção de um ramal de 70 km que interligará o Eixo Leste à bacia do Rio Ipojuca.

Vitrine do Cariri
A União

Transposição começará em 2 meses na Paraíba

Monteiro terá até banco de emprego para disponibilizar mão-de-obra às empresas que trabalharão no projeto.
Correio da Paraíba
Edição de 12 de julho de 2009 – Caderno Economia
Marcelo Rodrigo
Dentro de dois meses, começa em Monteiro, a construção de um dos dois eixos do projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. As obras demandarão, até o próximo ano, R$ 4,8 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e o investimento inicial apenas na Paraíba chegará a R$ 1,22 bilhão. No final de 2009, os canais do Eixo Norte e Leste já estarão percorrendo 134 quilômetros em terras paraibanas e beneficiarão, além da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A previsão do Ministério da Integração Nacional é de que 2,5 milhões de habitantes em 127 municípios paraibanos sejam beneficiados. Além disso, serão gerados cerca de três mil empregos.
Em 15 dias, a prefeitura de Monteiro irá criar um Banco de Emprego Municipal (BEM) para disponibilizar mão-de-obra local às empresas do consórcio que trabalharão na obra. É esperado aumento de 50% na economia local. Comerciantes e trabalhadores se animam com a chegada do canal que, além de matar a sede, promete saciar necessidades como emprego e renda.
No Canteiro de Obras de Sertânia (PE), as informações são racionadas e o acesso é restrito. Todo trabalho está sendo desenvolvido em ritmo acelerado, inclusive no turno da noite. São tratores, caçambas e operários trabalhando durante todo o dia para que a obra fique pronta e tenha sua primeira etapa inaugurada ano que vem.
O projeto de Integração do rio prevê a construção dos canais Eixo Norte e Leste, divididos em 14 lotes. Aproximadamente 12 milhões de habitantes dos quatro estados serão beneficiados com a obra, que também prevê geração de empregos, e inclusão social.
Até Agora, só 14% realizados
De acordo com o coordenador geral de Campo do Escritório Regional do Ministério da Integração Nacional de Salgueiro (PE), Frederico Fernandes de Oliveira, atualmente, 14% da obra estão prontas e, nos próximos meses, serão iniciadas as construções no estado da Paraíba.
“No Eixo Norte, os trabalhos de mobilização de pessoal foram recentemente iniciados no Lote 7 (municípios envolvidos: São José de Piranhas e Cajazeiras), no final deste lote as águas do São Francisco irão desaguar na Barragem Engenheiros Ávidos, Coremas e Mãe D´água. Ainda no Eixo Norte, o Lote 14 já contratado, e que tem por objetivo a construção dos túneis Cuncas I e Cuncas II, este último localizado no Estado da Paraíba, tem previsão de início nos próximos 60 dias”, informou o coordenador.
Frederico disse também que no Lote 12 do Eixo Leste, que se inicia em Sertânia (PE) e chega ao estado da Paraíba em Monteiro, já está mobilizado na região de Custódia (PE) com máquinas e pessoal. Segundo ele, a previsão é de que já nos próximos meses
sejam iniciados o desmatamento e escavação nos terrenos paraibanos, para que o Eixo Leste fique pronto no próximo ano.
Canteiro de obras monumental localiza-se no município de Cabrobó em Pernambuco
Coordenador explica os gastos
O coordenador geral de campo dos Eixos do projeto São Francisco também informou como serão os investimentos no estado da Paraíba. “Em valores iniciais e somente dentro da Integração de Bacias do Projeto São Francisco (Eixos Norte e Leste) serão investidos mais de R$ 1,22 bilhão exclusivamente em obras dentro do Estado da Paraíba. Pela solicitação urgente, este número não contempla os custos de implantação das Vilas Produtivas Rurais e nem os equipamentos elétricos e mecânicos que ainda não foram computados exclusivamente para o estado da Paraíba”, explicou.
Conforme Frederico, a obra pode gerar até três mil empregos. “É uma estimativa, mas os números de outros lotes (em plena execução) mostram que teremos em torno de 1.200 empregos por lote. Fazendo uma projeção incluindo os trabalhadores que construirão as Vilas Produtivas, o Estado da Paraíba terá mais de três mil empregos diretos”, destacou.
Segundo o coordenador, o Ministério da Integração Nacional inseriu cláusula nos contratos de execução das obras de todos os 14 Lotes do Projeto São Francisco, determinando que a mão-de-obra alocada deverá ser preferencialmente local. Hoje, a realidade mostra que toda a mão-de-obra disponível na região da obra está empregada.
Integração do rio passa por 3 cidades da Paraíba
475 terrenos foram desapropriados para a construção da obra em Monteiro, São José de Piranhas e Cajazeiras
O projeto de Integração do Rio São Francisco vai ser desenvolvido na Paraíba em três municípios: Monteiro, São José de Piranhas e Cajazeiras. De acordo com o coordenador de Desapropriação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Rubem Lopes, ao todo na Paraíba 475 terrenos foram desapropriados para a construção da obra. Só no município de São José de Piranhas, que terá a maior extensão do canal, foram 322 desapropriados. Em Monteiro o órgão desapropriou 104 terrenos. Entretanto, apenas 147 dos proprietários, o equivalente a 30% do total, foram indenizados até agora. O Governo já encaminhou R$ 22 milhões para as compensações
Rubem Lopes informou que os proprietários que ainda não receberam indenizações estão ajustando o valor através de acordo judicial. E este é mais um fator que dificulta o início do processo no Estado. “As empresas que irão executar as obras dos 16 lotes do Eixo Leste já receberam ordem de serviço para começar as atividades”, afirmou.
Desapropriação
No município de Cajazeiras foram 49 terrenos desapropriados e em Monteiro foram 104. O Governo Federal está desapropriando uma área de aproximadamente 150 metros de largura no caminho por onde seguirá o canal. O valor da indenização será calculado com base em um estudo sobre o tipo de solo da propriedade (cascalho, chapada ou aluvião) e o valor de mercado em cada município.
Reservatórios contemplados
Frederico Fernandes, coordenador geral de Campo do Escritório Regional do Ministério da Integração Nacional de Salgueiro (PE), informou que, em sua maioria, o canal atravessará o Estado em seção aberta (em torno de 134 km). Três grandes reservatórios estão contemplados (capacidade total de 365 milhões de metros cúbicos). Também serão executados 12,6 km de túneis, 8 km de aquedutos, 4 km de adutoras e mais de 250 casas dentro das Vilas Produtivas Rurais (Programa de Reassentamento de Populações na Faixa de Obras).
O coordenador de campo do Eixo Leste, Lusbene Cavalcante, disse que a obra depende apenas de liberação judicial que está analisando a documentação dos proprietários indenizados. O canal vai percorrer aproximadamente 20 km até encontrar o leito do Rio Paraíba, que corta o Centro da cidade. A obra entrará no Estado pelo povoado de Pernambuquinho, seguindo pelos Sítios Mulungu I e II, Pau D´arco, Tamanduá e chegando à zona urbana.
Foi confirmada instalação de cinco Vilas Produtivas Rurais no Sertão paraibano que beneficiarão mais de 250 famílias. Os pesquisadores estão estudando a criação de mais uma Vila em Monteiro, na Fazenda Lafayete.
Nos municípios pernambucanos, onde as obras já foram iniciadas desde outubro de 2008, os comerciantes verificaram aumento na movimentação econômica e crescimento de seus estabelecimentos para suprir a demanda gerada pelas obras. Alguns restaurantes já fornecem pacotes de três refeições diárias e hotéis ampliam a oferta de quartos. Além disso, terrenos de sítios e povoados têm valorização de 400%